O assédio de agora, no entanto, é bem mais ameno do que o dos tempos em que ele interpretou Ralado, em Quatro por Quatro. "Foi o auge da minha carreira. Eu saía nas ruas e era atacado pelas mulheres", recorda. E, em meio a esse sucesso, Marcelo se viu perdido. Chegou a se envolver em brigas e também a ter problemas com a imprensa por achar que tinha sua privacidade invadida. Hoje, com 34 anos e prestes a completar 20 de carreira em 2009, o ator afirma que o tempo o ensinou a lidar com o excesso de exposição. "Eu discutia e brigava porque era um moleque. Agora já me moldei a essa realidade", avalia Marcelo.
Beleza Pura foi uma novela que teve altos e baixos em relação à audiência. Mas seu personagem esteve diretamente ligado a Rakelli de Ísis Valverde, que teve a maior repercussão da trama. Como você analisa esse trabalho?
Nosso núcleo compôs a parte gostosa e leve da história. As pessoas gostam de ver aventura, situações que geram ação, ninguém quer chegar em casa e ver drama. Tive a sorte de estar com a Ísis Valverde. A Rakelli estourou, tomou conta da novela, e o meu personagem Robson foi junto. Óbvio que não foi uma carona, porque ela não sobreviveria sem mim também. Acho que uma coisa levou à outra. Os outros atores ao nosso redor também fizeram um contraponto legal, como o Bruno Mazzeo e a Carol Castro, além do Elias Andreato e do meu pai.
Ser filho de Reginaldo Faria e pertencer a uma família de diretores continua gerando pressão e cobranças mesmo depois de 19 anos de carreira?
O sobrenome traz responsabilidade, mas não me sinto cobrado. Nunca dependi de ninguém e nem me espelhei em ninguém. Fiz o meu caminho e a cobrança foi se diluindo. Entre 1986 e 1989 estudei teatro na Casa de Artes das Laranjeiras e logo estreei em uma peça do Roberto Talma na qual o único personagem elogiado foi o meu. Como ele ia dirigir Top Model, me chamou para fazer testes e entrei na novela. Hoje só há mesmo a minha cobrança pessoal, na batalha de sempre buscar personagens diferentes.
E você acha que tem conseguido?
No começo da minha carreira eu fazia muito garotão Zona Sul do Rio de Janeiro, surfista. As coisas começaram a mudar depois do bombeiro Vladimir, de Celebridade. Ele era um suburbano, moralista, um militar. Logo veio a oportunidade de fazer época em Alma Gêmea e também o Romildo de Amazônia, que tinha uma barba gigante, sotaque nordestino e para o qual eu emagreci e cheguei aos 70 quilos. Converso com as pessoas da emissora e falo: "sou surfista, mas faço qualquer papel. É só vocês me darem que estou buscando".
Você também teve problemas com a imprensa ao longo da carreira. Já conseguiu reverter isso?
A gente tem de aprender a lidar com esse assédio. Quando passei a fazer bailes de debutantes e desfiles por causa do sucesso de Top Model e quando estourei com o Ralado de Quatro por Quatro, pirei completamente. Não havia a cultura da internet, dos paparazzi e eu fazia o que queria no Rio de Janeiro. Se quisesse ficava com 10 meninas em uma mesma noite. Para aceitar a quebra de privacidade vinda com a internet foi difícil. Briguei muito. Fui criado no Leblon, todo mundo me conhecia no bairro e chega um momento em que não posso mais sair porque tem alguém fotografando ou filmando. Mas já entendi que não tem saída.
Em algum momento você pensou em desistir da carreira por causa disso?
Escolhi ser ator e tenho de agüentar essas conseqüências. Nunca pensei em largar tudo porque não sei fazer outra coisa da minha vida e amo minha profissão. Estou me realizando nessa carreira mas ainda tenho o desejo de chegar a fazer um protagonista, um grande vilão também. E tenho certeza de que vou fazer.
Link: http://exclusivo.terra.com.br/interna/0,,OI3145043-EI1118,00-Eu+brigava+porque+era+moleque+diz+Marcelo+Faria+sobre+assedio.html
