Quando Ísis Valverde fala sobre a breve e ascendente carreira, seus olhos brilham mais que o ofuscante figurino indiano de Camilla, sua personagem em Caminho das Índias.
Serelepe e totalmente vivaz, a atriz que nasceu na pequena Aiuruoca, em Minas Gerais, mistura toda a sua faceta sonhadora com a empolgação de quem viajou pela primeira vez para o exterior para gravar cenas da trama das nove da Globo.
Tanto que a primeira alusão que faz à personagem da história de Glória Perez é sobre como esse papel habita seu universo romântico. Ísis se empolga desde o momento em que enumera as características mais estruturais da personagem.
"Ela é totalmente correta: não fuma, não bebe, mas é rebelde à sua maneira, assim como eu. Eu era muito parecida com ela na adolescência. Também escolhia meus namorados a dedo", compara.
No entanto, o que mais chamou a atenção da atriz foi a função de Camilla na trama. Segundo Ísis, a primeira recomendação do diretor Marcos Schetchman foi que o papel seria uma espécie de "olhos dos brasileiros na Índia", destacando todo o choque cultural e os costumes dos ocidentais que chegam no Oriente e precisam se adaptar com urgência a um modo de vida tão peculiar.
Na trama, Camilla conhece Ravi, de Caio Blat, pela internet, e logo se apaixona. Com isso, resolve largar sua vida no Brasil e as oposições da mãe Aída, de Totia Meirelles, para se casar com o indiano. "Ela tem uma paixão louca. Isso que vai segurar a Camilla, que passa por muitas transformações e decepções e acaba virando outra pessoa na história", adianta.
As mutações não se restringem apenas à personagem. "Voltei outra pessoa da Índia. Tive uma crise existencial, questionei minha vida inteira", dramatiza a atriz, prestes a completar 22 anos. Um dos costumes que mais impressionou Ísis nas cidades por onde passou foi a religiosidade através do hábito dos indianos de fechar o comércio às duas da tarde e todos irem rezar nos templos.
Pouco depois, tudo reabre e a vida volta ao normal. "Foi muito estranho ficar num lugar sem meio termo, com tanta riqueza e tanta pobreza", avalia.
Em meio a tantas análises, Ísis também teve tempo de pensar na carreira meteórica. Afinal, contou com a sorte de emendar uma novela na outra desde que estreou na Globo, há três anos, como a recatada Ana do Véu, em Sinhá Moça.
Em seguida, após uma participação no início de Paraíso Tropical, como a garota de programa Telma, emplacou sua personagem de maior destaque na TV: a desprovida de neurônios Rakelli, de Beleza Pura. Mas a atriz espevitada nem pensou em dar um tempo da telinha para "descansar a imagem", como faz boa parte dos atores. Preferiu aceitar o chamado para um papel de destaque no horário nobre.
"Depois dessa novela, realmente acho que tenho de dar um tempo da TV, fazer um filme, mudar o foco. Mas antes quero mostrar que também tenho essa faceta de heroína romântica", ressalta a mineira.
Mesmo destemida, Ísis não camufla uma ingenuidade e um certo ar sonhador de quem saiu aos 15 anos de idade da cidadezinha de Aiuruoca para ir estudar em Belo Horizonte. Até os 18 anos, acabou trabalhando como modelo em Minas.
Mudou-se em seguida para o Rio e foi estudar teatro e fazer testes para diversas produções na TV, como Belíssima. No entanto, nessa trama, perdeu o papel de Giovana para Paola Oliveira, que foi escolhida para a novela de Silvio de Abreu.
"Até que enfim consegui dar certo. Ator é muito carente, necessita expor o que sente, seus medos e sensações que nunca vai ter na vida através dos personagens. Eu sou assim, intensa mesmo", assume, com sua permanente cara de moleque.
A mil por hora
O jeito agitado e turbulento de Ísis Valverde já poderia ser considerado um exercício físico permanente. Mas a atriz ainda sua muito suas camisetas para manter os irretocáveis 53 kg em 1,63 m de altura.
"Gosto mesmo é de ficar magrela", avisa Ísis, que costuma fazer exercícios aeróbicos três vezes por semana, séries de musculação, drenagem linfática e não descuida da alimentação. "Tenho a sorte de não gostar de chocolate. Mas ataco alguns doces, como doce de leite", assume, com sua mineirice.
Seu jeito meio atirado e descontraído e o corpo curvilíneo chegou a chamar a atenção da Vila Isabel, escola de samba carioca, que convidou a atriz para ser a rainha da bateria deste ano. Mas, seu envolvimento com as exaustivas gravações de Caminho das Índias a fez recusar o chamado para atravessar a avenida do alto de sandálias de prata que causariam inveja em sua personagem Rakelli.
"Quero fazer outras coisas na vida, como faculdade de Psicologia para entender os personagens e decifrar os seres humanos. Queria viver milhões de anos para fazer tudo que planejo", diverte-se.
Instantâneas
# Ísis teve de aplicar um "megahair" ondulado na raiz do cabelo para dar mais volume às curtas madeixas de Camilla em Caminho das Índias.
# Ísis Valverde virou modelo por acaso aos 15 anos de idade, quando foi descoberta por um "olheiro" ao passear por um shopping em Belo Horizonte.
# Para fazer a voz aguda de Rakelli, Ísis pediu permissão ao diretor Rogério Gomes para deixar a personagem mais histriônica e exagerar nos gritinhos.
# Depois de viver a divertida Rakelli, o cachê de Ísis no mercado publicitário passou a girar em torno de R$ 250 mil para estrelar uma campanha. Recentemente, ela fez um comercial do bronzeador Cenoura & Bronze.
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